Empréstimos e crédito em DeFi
Os empréstimos DeFi permitem ganhar juros ou tomar empréstimos usando cripto como garantia por meio de contratos inteligentes. Saiba como funcionam garantias, taxas e liquidações, além dos principais riscos.
Os empréstimos DeFi permitem depositar cripto em um pool controlado por um contrato inteligente para ganhar juros, enquanto os tomadores pegam empréstimos desse pool bloqueando uma garantia que vale mais do que o valor emprestado. As taxas de juros se ajustam automaticamente conforme a oferta e a demanda e, se a garantia de um tomador perder valor demais, o protocolo a vende para quitar o empréstimo, um processo chamado liquidação.
Não há gerentes de crédito, análises de crédito nem horário comercial. Essa abertura é o grande atrativo, mas também significa que as regras são aplicadas por código e feeds de preços, e não por pessoas que podem abrir exceções. Este guia explica como funcionam os empréstimos DeFi e o que pode dar errado.
Como funcionam os empréstimos DeFi
A maioria dos protocolos de empréstimos DeFi, como Aave e Compound, usa um modelo de pools:
- 1Os fornecedores depositam ativos em um pool de um token específico, como uma stablecoin ou ETH. Em troca, recebem um token ou saldo que representa o depósito mais os juros.
- 2Os tomadores depositam garantia em outro pool, o que lhes permite tomar emprestado de outros pools até um limite.
- 3Os juros se acumulam continuamente. Os tomadores pagam juros; os fornecedores recebem a maior parte.
- 4O pagamento libera a garantia. Quando o tomador quita o empréstimo mais os juros, pode sacar sua garantia.
Normalmente não há prazo fixo. Um empréstimo continua aberto enquanto a garantia for suficiente. Para as perspectivas de um token relacionado, veja nossa previsão de preço da Compound para 2026–2027. Veja também: Posições de dívida colateralizada (CDPs) explicadas.
Por que tomar empréstimos?
As pessoas tomam empréstimos em DeFi por vários motivos:
- Para obter stablecoins para gastos ou outros investimentos sem vender suas criptos, o que em alguns países poderia gerar um evento tributável.
- Para abrir uma posição alavancada, por exemplo tomando stablecoins com ETH como garantia para comprar mais ETH, uma estratégia de alto risco.
- Para vender um ativo a descoberto, tomando-o emprestado e vendendo-o.
Garantia, loan-to-value e fator de saúde
Cada ativo de garantia tem parâmetros de risco definidos pela governança do protocolo.
| Termo | Significado |
|---|---|
| Loan-to-value (LTV) | O máximo que você pode tomar emprestado com uma garantia, como porcentagem do valor dela |
| Limite de liquidação | O nível em que uma posição se torna passível de liquidação |
| Fator de saúde | Um número que resume o quão segura está sua posição; abaixo de 1, a liquidação pode ocorrer |
| Penalidade de liquidação | O bônus que os liquidantes recebem, pago com a sua garantia |
Um exemplo simplificado: você deposita ETH no valor de 1.000 dólares como garantia, com LTV máximo de 75% e limite de liquidação de 80%. Você poderia tomar até 750 dólares em stablecoins. Se tomar 600 dólares e o ETH cair até sua garantia valer 750 dólares, seu empréstimo atinge 80% do valor da garantia e pode ser liquidado. Os números são ilustrativos; os parâmetros reais variam conforme o ativo e o protocolo. Nosso guia sobre fatores de garantia e fatores de saúde se aprofunda no tema. Para uma análise mais detalhada, veja Sobrecolateralização.
Como as taxas de juros são definidas
As taxas de juros em DeFi costumam ser definidas por um algoritmo com base na utilização, ou seja, a parcela do pool que está emprestada no momento.
- Quando a utilização é baixa, as taxas são baixas para incentivar empréstimos.
- À medida que a utilização sobe, as taxas aumentam para atrair mais depósitos e desestimular empréstimos.
- Depois de um ponto-alvo, as taxas costumam subir de forma acentuada para manter alguma liquidez disponível para saques.
Isso significa que a taxa que você vê hoje pode mudar rapidamente. Veja modelos de taxa de juros em empréstimos DeFi para entender como essas curvas funcionam. Abordamos isso com mais detalhes em Taxas de utilização em empréstimos DeFi.
Fornecer x tomar emprestado: lado a lado
| Fornecedor (credor) | Tomador | |
|---|---|---|
| O que você faz | Deposita ativos em um pool | Deposita garantia e toma um empréstimo |
| O que você ganha ou paga | Ganha juros variáveis | Paga juros variáveis |
| Principal risco | Falha do contrato inteligente, dívida incobrável, atrasos nos saques | Liquidação se o valor da garantia cair |
| Para quem é indicado | Investidores que buscam rendimento com ativos parados | Usuários que precisam de liquidez sem vender |
Liquidações
As liquidações mantêm os pools de empréstimos solventes. Quando o fator de saúde de uma posição cai abaixo de 1, qualquer pessoa (normalmente bots automatizados) pode pagar parte da dívida e receber a garantia do tomador com desconto.
Para evitar a liquidação:
- Tome emprestado bem abaixo do máximo permitido.
- Acompanhe seu fator de saúde, especialmente em mercados voláteis.
- Adicione garantia ou pague dívida cedo quando os preços se moverem contra você.
- Lembre-se de que dívida em stablecoins contra garantia volátil é o cenário clássico de liquidação.
Em quedas bruscas do mercado, muitas posições podem ser liquidadas ao mesmo tempo, o que pode derrubar ainda mais os preços. Leia mais em liquidações em DeFi.
Riscos dos empréstimos DeFi
Tanto credores quanto tomadores enfrentam riscos:
- Risco de contrato inteligente. Bugs ou exploits podem drenar fundos. Auditorias reduzem esse risco, mas não o eliminam.
- Risco de oráculo. Os protocolos dependem de feeds de preços. Um preço errado ou manipulado pode desencadear liquidações injustas ou permitir que atacantes tomem emprestado demais.
- Dívida incobrável. Se a garantia cair mais rápido do que os liquidantes conseguem agir, o pool pode ficar com empréstimos que valem mais do que suas garantias, o que pode prejudicar os fornecedores.
- Risco de liquidez. Se quase todo o pool estiver emprestado, os fornecedores podem não conseguir sacar até que os tomadores paguem ou entrem novos depósitos.
- Risco do ativo. A perda de paridade de uma stablecoin ou o colapso de um token de garantia pode se propagar em cascata pelo sistema.
- Risco de governança. Os detentores de tokens podem alterar parâmetros, às vezes rapidamente.
Nunca deposite mais do que pode perder e desconfie de rendimentos anunciados excepcionalmente altos. Abordamos isso com mais detalhes em Aave vs Compound. Para uma análise mais detalhada, veja Aave vs Morpho.
Como escolher um protocolo de empréstimos
Antes de usar qualquer protocolo, verifique:
- 1Há quanto tempo ele opera e se já sofreu exploits.
- 2Se seus contratos são auditados e têm um programa de recompensa por bugs.
- 3Quais oráculos ele usa para preços.
- 4Seus parâmetros de risco para os ativos que você pretende usar.
- 5Se você está no site oficial e interagindo com os contratos verificados.
Nossa checklist de due diligence em DeFi cobre cada etapa em detalhes.
Conclusão
Os empréstimos DeFi substituem os bancos por contratos inteligentes com pools: os fornecedores ganham juros variáveis e os tomadores bloqueiam mais garantia do que tomam emprestado. Funcionam 24 horas por dia e sem análise de crédito, mas liquidações, bugs em contratos inteligentes e falhas de oráculos são riscos reais. Tome empréstimos com cautela, acompanhe suas posições e use apenas protocolos consolidados que você pesquisou.
Perguntas frequentes
Por que os empréstimos DeFi exigem mais garantia do que o valor emprestado?
Os protocolos DeFi não podem consultar o histórico de crédito nem cobrar tomadores inadimplentes, por isso protegem os credores exigindo uma garantia que valha mais do que o empréstimo. Se o valor da garantia cair demais, o protocolo vende parte dela para quitar a dívida. Essa sobrecolateralização é o que permite que usuários anônimos tomem empréstimos sem análise de crédito.
De onde vêm os juros nos empréstimos DeFi?
Os juros são pagos pelos tomadores. Um pool de empréstimos cobra dos tomadores uma taxa variável que depende de quanto do pool está emprestado, e a maior parte desses juros vai para os fornecedores, enquanto o protocolo costuma ficar com uma parcela. Algumas plataformas também acrescentam incentivos em tokens, que podem mudar ou acabar.
Posso perder dinheiro fornecendo ativos a um protocolo de empréstimos DeFi?
Sim. Os riscos incluem bugs ou exploits em contratos inteligentes, falhas de oráculos, dívidas incobráveis se as liquidações falharem, perda de paridade de stablecoins e períodos em que você não consegue sacar porque a maior parte do pool está emprestada. Protocolos maiores e com mais tempo de operação têm históricos mais sólidos, mas nenhum é isento de risco.
O que acontece se meu empréstimo DeFi for liquidado?
Parte ou toda a sua garantia é vendida, geralmente com desconto para um liquidante, para quitar sua dívida. Você fica com os fundos emprestados, mas perde a garantia liquidada mais uma penalidade. É possível evitar a liquidação adicionando garantia ou pagando parte da dívida antes que seu fator de saúde caia abaixo do limite do protocolo.
